Ex-presidente da Câmara de Coribe, escrivão da Civil é alvo de PAD por assédio sexual contra policial

O vereador Sebastião Pereira da Silva Neto (PP), conhecido como Tião de João de Virú e ex-presidente da Câmara Municipal de Coribe, é alvo de um processo administrativo da Polícia Civil sob acusação de assédio sexual contra uma servidora da corporação. O incidente teria ocorrido em 2019, na Coordenadoria de Polícia do Interior (26ª Coorpin), em Santa Maria da Vitória.
Tião de João de Virú, que também é escrivão da Polícia Civil, obteve licença da corporação para concorrer nas eleições de 2024. Ele já exerceu o cargo de vice-prefeito de Coribe, eleito em 2012 pelo PHS, na chapa do atual deputado estadual Manuel Rocha (União).
A denúncia aponta que Sebastião teria apalpado as partes íntimas da servidora, lotada em uma Delegacia de Homicídios de Salvador, sem consentimento, além de segurar seus braços contra a parede. Segundo o relato, o escrivão teria esfregado seu corpo na policial e tentado beijá-la à força.
Adicionalmente, o vereador é acusado de ter entrado no alojamento da servidora, exibido seu pênis e oferecido dinheiro em troca de sexo. Também teria enviado mensagens de texto de cunho sexual para a policial.
A Polícia Civil designou três delegados para investigar o caso. Uma investigação preliminar já foi realizada pela Comissão Permanente de Processo Administrativo Disciplinar de Barreiras (CPPAD-Oeste) e deve auxiliar no inquérito.
A corporação informou que, se comprovadas as acusações, as condutas configurariam infrações disciplinares como "praticar ato ou conduzir-se de modo que se afigure assédio moral ou sexual" e "praticar ato definido como infração penal que, por sua natureza e configuração, torne-o incompatível para o exercício da função policial", podendo resultar na expulsão da Polícia Civil.
O processo administrativo concede aos delegados um prazo de 60 dias para apresentar um resultado, prorrogável em caso de "circunstâncias extraordinárias".
A identidade da vítima foi preservada. O espaço permanece aberto para manifestações das partes envolvidas.
Além desta acusação, o vereador foi investigado por tortura em um caso que teria ocorrido em 2007. A denúncia foi recebida pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) em 2016, mas o processo foi extinto em 2022 por decisão do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), sob o argumento de que a pena não poderia mais ser cumprida devido ao tempo decorrido.