Circuitos de Vaquejadas pela Bahia impulsionam a economia e prática tradicional com premiações milionárias após decisão do STF

Publicado em 02/04/2025 às 03:05:48
Circuitos de Vaquejadas pela Bahia impulsionam a economia e prática tradicional com premiações milionárias após decisão do STF

A vaquejada, prática esportiva e cultural reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 14 de março de 2024, por meio de uma emenda, tem se mostrado um importante motor para a economia e a cultura de diversos municípios baianos. A decisão da Corte reforçou a relevância da vaquejada ao manter a Emenda Constitucional n.° 96/2017, que a reconhece como patrimônio cultural imaterial brasileiro.

A competição, que consiste na tentativa de vaqueiros de derrubar um boi puxando-o pelo rabo, movimenta a economia e a cultura no Nordeste, especialmente na Bahia, com regulamentação e critérios que visam capacitação e saúde dos animais.

Leonardo Almeida, presidente da Associação Brasileira de Vaquejada (ABVAQ), explica que a entidade surgiu para lutar pelo reconhecimento jurídico da prática cultural nordestina. Segundo ele, a ABVAQ foi reativada em 2014 com o propósito de defender a vaquejada e criar um arcabouço legislativo e jurídico que a protegesse.

A ABVAQ, oficialmente vinculada ao Ministério da Agricultura, é responsável por regulamentar e capacitar eventos e profissionais da vaquejada em todo o Brasil, priorizando o bem-estar e a saúde dos animais.

Atualmente, dois grandes circuitos se destacam na Bahia: o Circuito Valmir Velozo (CVV) e o Campeonato Baiano de Vaquejada (CBV), atraindo competidores de todo o país e distribuindo prêmios milionários.

O Circuito Valmir Velozo, o maior da Bahia, realiza 11 etapas anuais e oferece premiação superior a R$ 1 milhão, democratizando o acesso ao esporte e impulsionando a economia local através da geração de empregos, fomento ao turismo e benefícios para os setores de hotelaria e comércio.

No entanto, Pedro Rocha, representante do CBV, ressalta a importância de considerar as desigualdades regionais e promover uma gestão mais democrática do esporte, unindo as diversas realidades e particularidades do estado.

Apesar do reconhecimento da vaquejada, entidades e associações de proteção animal questionam a decisão do STF. Em resposta, o presidente da ABVAQ garante que a prática é realizada de forma responsável, com regulamentos que asseguram o tratamento adequado dos animais, seu transporte, o número de vezes que podem correr e a ausência de ferimentos.

A ABVAQ também atua no combate à prática ilegal da vaquejada, denunciando irregularidades ao Ministério Público, como no caso do "Circuito MS dos Amigos" em Barrocas, que sofreu intervenção por crimes de falta de preparo técnico e ambiental.

A fim de prevenir tais ocorrências, a ABVAQ atualiza anualmente seus regulamentos de fiscalização, que abrangem desde a tabela de pontos até o bem-estar animal e a segurança dos participantes. Para 2025, foram publicados regulamentos específicos para eventos e para o cuidado com os animais, com fiscalização realizada por zootecnistas e veterinários.

A vaquejada, assim como outras práticas como tourada e boiada, reflete a importância da agropecuária para o desenvolvimento socioeconômico do país, especialmente no Nordeste, onde a habilidade de lidar com o gado é fundamental para o trabalho na pecuária.

Leonardo Almeida destaca que a vaquejada não se restringe ao Nordeste, estando presente em praticamente todos os estados brasileiros, demonstrando a força cultural e o enraizamento da prática no país.

Eventos como o CVV e o CBV atraem competidores de diversas regiões, movimentando a economia e gerando empregos. A preparação para as competições impulsiona a economia local e regional, enquanto as vaquejadas celebram as tradições e costumes do sertão nordestino.

Valmir Velozo, criador do circuito que leva seu nome, relata a evolução do esporte ao longo de 35 anos, desde a criação de regras e categorias até a implementação de um sistema de índice técnico para equilibrar a competição e evitar desigualdades financeiras.

Pedro Rocha, do Campeonato Baiano de Vaquejada (CBV), explica que a competição surgiu para unificar e fortalecer a organização do esporte no estado, resgatando a regulamentação da ABVAQ e da ABQM para garantir a pontuação dos cavalos no ranking nacional.

Um importante exemplo é a Vaquejada de Serrinha, considerada a maior do Nordeste, que atrai milhares de pessoas e demonstra a profissionalização do esporte na Bahia.